Sente-me, Ouve-me, Vê-me

Helena Almeida, artista plástica desde os anos 60 do séc. XX.

Nasceu em 1934 na cidade de Lisboa. Até hoje reside e trabalha na capital.

Formou-se na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa como pintora em 1955. É casada com o arquitecto Artur Rosa.

Irei falar os trabalhos “Sente-me, Ouve-me, Vê-me” que foram realizados nas décadas de 70 e 80 do séc. XX.

“Não sou nada,

Nunca serei nada,

Não posso querer ser nada,

À partir isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”

Excerto de poema “Tabacaria”, Álvaro de Campos (Heterónimo de Fernando Pessoa)

A artista aplicou este excerto nas suas obras: fotografia, vídeo, performance, escultura, pintura e desenho para a sua auto-representação.

Helena Almeida tornou-se modelo da sua própria obra, que lhe permitia controlar o cenário ilusório fotográfico com a ajuda do seu marido.

Como dizia a pintora: “A minha obra, é o meu corpo e o meu corpo, é a minha obra” – o seu corpo altera-se constantemente, desfigura-se e esconde-se por detrás da pintura. O seu corpo passa a ser como um meio de comunicação.

A pintora cria em dois momentos distintos no seu processo de trabalho: o “antes” que é a fotografia e o “depois”, cria elementos manipulados na fotografia (golpes, perfurações, colagens com fios de crina, manchas com pinceladas de tinta azul e vermelha).

As suas composições são transformadas em cenas sequenciais fotográficas em modo cinematográfico.

Sente-me, Ouve-me, Vê-me

Sente-me, Ouve-me, Vê-me

As 4 fotografias mostram as mãos da artista amarradas por cordel em forma de oração. Nesta sequência, as mãos tentam alcançar ao pincel, à tesoura, ao lápis e à faca. A pintora revela a sua incapacidade de querer se expressar livremente para as suas telas pictóricas.

As 16 fotografias expõem os seus lábios suturados com fios de crina com os dizeres “OUVE”. Todas apresentam o mesmo enquadramento fotográfico. As palavras “OUVE” transmitem o bloqueio da liberdade de expressão artística existente nas indústrias culturais. Muitos julgariam que seria uma denúncia da condição da mulher numa sociedade sujeita às regras da dominação masculina, mas não é.

Estas fotografias demonstram os olhos fechados da pintora em plano de pormenor até desvanecer o campo visual do rosto em plano geral. A crina permanece colada à lente, mal se move, torna-se menos frágil do que a imagem do rosto que se vai escondendo entre o granulado do papel fotográfico até desaparecer pelo canto inferior direito.

Helena Almeida apresentou as três sensações (sentir, ouvir, ver) nos seus trabalhos em função de uma divisão espacial entre um “lado-de-cá” e outro “lado-de-lá da representação” para o espectador.

Fontes bibliográficas:

Ideias & Imagens, História da Cultura e das Artes 10ºAno, Ana Lídia Pinto e outros, Porto Editora, 2014

http://www.artecapital.net/exposicao-467-helena-almeida-helena-almeida-a-minha-obra-e-o-meu-corpo-o-meu-corpo-e-a-minha-obra
http://5dias.net/2009/04/10/helena-almeida-a-obra-fotografica-e-os-seus-desenhos-um-circulo-fechado-e-perfeito/
http://seer.uniritter.edu.br/index.php/cenarios/article/view/1138/840
http://www.arte.com.pt/text/filipag/helenaalmeida.pdf
https://prezi.com/l308satjdxwq/sente-me-ouve-me-ve-me-helena-almeida/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Helena_Almeida
https://www.youtube.com/watch?v=WJ8gFEFtKR4
https://www.youtube.com/watch?v=D2ktmQ2-D04
https://vimeo.com/116156883
http://niguloto.tumblr.com/post/73417735216